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15/06/2016 - Conheça os cinco filiados à Abcred que ganharam o Prêmio Citi

Cinco dos vencedores da 10ª edição do Prêmio Citi foram para empreendedores, agentes de crédito e entidades associadas à Abcred.

O prêmio Empreendedora do Ano foi para Francisca Cosma Gomes Rabelo, diretora da Cooperativa Fênix Ágape, instalada na Zona Leste de São Paulo (SP). A empresa foi criada em 2005 e hoje conta com 45 cooperados, que fazem a coleta, separação e higienização de materiais recicláveis. Mensalmente, são recolhidas cerca de 100 toneladas.

“Vi no lixo da rua uma oportunidade de trabalho e me tornei uma catadora. Mas a gente não conseguia linha de crédito nos bancos porque éramos uma cooperativa, sem nenhum dono, não tínhamos endereço fixo e não éramos constituídos legalmente. Os bancos viam a gente como catadores de lixo”, disse Francisca.

O agente de crédito Edno Ferreira Santos, do Crédito Solidário Banco do Povo, de Santo André (SP), disse que ela começou emprestando 2 mil reais, usados para organizar a documentação da cooperativa.

Francisca comentou que “a gente precisava disso, de alguém que confiasse na gente, de que estava investindo em atividade que daria um resultado”. Agora, ela pretende abrir uma filial no Nordeste.

O espírito empreendedor de Francisca se revelou novamente em 2011, quando a cooperativa lançou o Eco Banco Fênix Ágape, que permite a troca de materiais recicláveis por créditos a serem usados em cursos de informática e inglês.

Edno disse que se sente gratificado. “A gente acompanha as histórias dos clientes e sabe o sacrifício que é para chegar ao nível que a cooperativa alcançou”, afirmou.
O prêmio Empreendedora com faturamento até R$ 60 mil foi para Maria José de Santana Silva, do Sítio Alegria, que fica na cidade de Lagoa do Itaenga, na Zona da Mata de Pernambuco. É a primeira vez que uma produtora rural vence o concurso.

O Sítio Alegria tem 2,5 hectares e produz cebolinha, coentro, alface, rúcula, cenoura, pepino, beterraba, nabo, rabanete e couve. Tudo ecológico, sem agrotóxicos ou defensivos contra pragas e insetos. Na comunidade em que está, são 40 famílias que trabalham com produção orgânica.
“É tudo natural. A gente planta pensando na alimentação saudável”, disse Maria José, que é casada, tem três filhos e está grávida.

O agente de crédito Ozéias José Barbosa, da Acreditar, disse que inscreveu Maria José porque ela é mulher, trabalha na agricultura familiar e tem uma história interessante. “Seu primeiro empréstimo foi a quatro anos, de 500 reais, para comprar insumos e equipamentos”, disse. Atualmente, ela vende os produtos na feira agroecológica da cidade e também os fornece para as escolas da região.

O prêmio Empreendedora com faturamento até R$ 360 mil foi para Maria Lúcia Justino, da Confecções Luadri, em Indaial (SC).
Ela começou a trabalhar por conta em 2000 e seis anos depois formalizou a empresa, que hoje ocupa um galpão de 140 m² e conta com 14 funcionárias. Mensalmente, são produzidas nove mil peças.

Maria Lúcia promove palestras motivacionais e, no ano passado, organizou um bazar de roupas usadas para contornar as dificuldades financeiras de suas trabalhadoras. “As pessoas da região e as próprias funcionárias podem comprar e vender roupas que não usam ou que não servem mais”, explicou.

A agente de crédito Graziella de Oliveira Luciano, da BluSol, que fica em Blumenau (SC), disse que o prêmio para Maria Lúcia foi o reconhecimento de seu trabalho. “O prêmio aumenta a motivação para que ela continue no negócio”, disse.

O prêmio Agente de crédito do ano foi para Joanilson Vicente de Melo, do INEC – Instituto Nordeste Cidadania, que opera o programa CrediAmigo em João Pessoa (PB).
Ele está há três anos no INEC e é apaixonado pelo seu trabalho. “O maior prazer em ser agente de crédito é ver a transformação dos empreendedores. Vejo o microcrédito como algo impactante na vida das pessoas”, comentou.

O fato de ter trabalhado no comércio o ajuda bastante. “Uso minha experiência para orientar os empreendedores no melhor caminho a seguir, e esse tem sido o grande diferencial do meu trabalho como agente”. Atualmente, sua carteira conta com 720 empreendedores.
Esta é sua segunda premiação. No ano passado ele inscreveu 19 empreendedores e ganhou o prêmio de agente com mais inscrições.

A Acreditar, com sede em Glória do Goitá (PE), ganhou o prêmio Instituição do Ano em Desenvolvimento Local. A diretora Lilian do Prado Silva Nascimento disse que o prêmio é um reconhecimento ao modelo inovador de microcrédito desenvolvido pela entidade, que privilegia pessoas jovens, com foco nas mulheres.

“Não trabalhamos apenas o acesso à renda, mas também desenvolvemos outras ações complementares como educação financeira. As pessoas não são clientes, mas nossos parceiros. Compramos as ideias delas, colocamos no papel e vamos dando orientações. Isso faz com que as pessoas enxerguem a Acreditar como uma organização delas”, disse.
O modelo foi implantado em 2001 com o objetivo de fixar os jovens na cidade já que, diante da falta de oportunidade, saíam para São Paulo.

“Vemos os jovens como atores das mudanças e nosso compromisso é fazer mais que conceder o microcrédito. O resultado mais palpável é que conseguimos implantar a cultura do empreendedorismo e criamos referências locais. É normal um jovem chegar aqui e dizer ‘quero montar isso”, pois ele sabe identificar as oportunidades”, comentou.
Lilian disse que o modelo tem um recorte de gênero. “É uma forma de atuação com perspectiva da igualdade de gênero, do empoderamento feminino, para diminuir as lacunas entre homens e mulheres. Agora, estamos desenvolvendo o projeto Olhar Empreendedor As Marias, um trabalho com diagnóstico junto às mulheres para entender os desafios sob a perspectiva de gênero e encontrar soluções coletivas”, concluiu.

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